VII SEMINÁRIO ÓCIO E CONTEMPORANEIDADE

ANAIS

Tema: Tempo social e envelhescência

nas culturas contemporâneas

ISSN: 2179-2879

Vol. 4, Nº 1, Agosto de 2013

Comissão científica

Prof. Dr. Andres Ried – Universidad Católica do Chile 

Profa. Dra. Carmita Victoria Quizhpi Merchan – ESPE

Profa. Dra. Erotilde Honório – Unifor

Prof. Dr. Fernando Pocahy – Unifor

Prof. Dr. Helder Isayama - UFMG

Prof. Dr. José Clerton de Oliveira Martins – Unifor

Profa. Dra. Luzia Neide Coriolano – UECE

Profa. Dra. Lupe Aguilar – Universidad YMCA

 Profa. Dra. Maria Manuel Baptista – UA (Portugal)

Prof. Dr. Manuel Cuenca Cabeza – U. de Deusto

Profa. Dra. Normanda Araujo – Unifor

Prof. Dr. Ricardo Ricci Uvinha – USP

Profa. Dra. Tereza Glaucia Rocha Matos – Unifor

Prof. Dr. Victor A. Melo – UFRJ

Comissão de organização

José Clerton de Oliveira Martins
Fabiana Neiva Veloso Brasileiro
Francisco Antonio Francileudo
José Júlio Martins Tôrres
Lisieux Araújo Rocha
Lorena Ibiapina Gurgel
Selena Mesquita Teixeira Sérvio
Andressa Maria Correia Vasconcelos
Dauana Vale Cavalcante
Fernanda Xavier Santiago Marinho
Benedito Alves Maia Junior
Bruno Pontual de Lemos Castro
Gustavo Fonseca Halley
Marlo Renan Rocha Lopes
Tyna Fontenele Scortegagna

ARTIGOS

Trabalho 1: Aposentação: um tempo para o desenvolvimento pessoal do idoso

Autora: Lorena Ibiapina Gurgel

Resumo: Atualmente o envelhecimento populacional é um fenômeno mundial. Envelhecer pode ser considerado uma conquista da humanidade. As estatísticas apontam uma tendência de crescimento. Percebe-se que para quem ingressa na faixa etária dos 60 anos, encontra-se uma variedade de nomenclaturas atribuídas tais como: terceira idade, maior idade, melhor idade, maturidade, velho e idoso. Nessa fase da vida, a aposentaria marca um dos mais importantes ciclos da vida de homens e mulheres. Na aposentadoria, sobretudo, destaca-se a interrupção das atividades profissionais e o aumento do tempo livre com relação ao período que a antecedia. O fenômeno da aposentadoria pode ser vista sob duas pespectivas: positiva e negativa. Para alguns a aposentadoria pode ser a oportunidade da libertação, da possibilidade de atividades consideradas prazerosas. Nesta pespectiva, o objetivo do estudo é proporcionar algumas discusoes a respeito a aposentação como um tempo para o desenvolvimento pessoal do idoso. A pesquisa se configura como exploratório/descritivo, com abordagem qualitativa. Os resultados apontam que os sujeitos idosos aposentados detêm de maior tempo percebido como livre e que este tempo tem potencial e pode ser revertidas atividades de desenvolvimento pessoal, como: autoconhecimento; realização pessoal; planejamento pessoal; administração do tempo; comunicação interpessoal; relacionamento humano; qualidade de vida; motivação e outros. 

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Trabalho 2: As vivências dos idosos em shopping centers: uma visão do desfrute de seu tempo livre

Autores: Adriana Alencar Pinheiro, Hommel Pinheiro Lima, Marlo Renan Rocha Lopes

Resumo: O presente estudo de investigação sugere uma análise das relações existentes entre a vivência do tempo livre e o processo de escolha dos idosos nas experiências vivênciadas em shopping center.Essa relação se dá a partir das expectativas que o idoso desencadeia ao frequentar um ambiente aparentemente tranquilo, seguro e idealizado para o seu bem-estar, evocando os seus signos e significados. O referido estudo teve como objetivo investigar os motivos da vivência dos idosos em shopping center no desfrute do seu tempo livre, na cidade de Fortaleza. Trata-se de uma pesquisa com abordagem qualitativa, mediante trabalho de campo. Os dados foram coletados por meio de observação participante e entrevista com roteiro semiestruturando. Metodologicamente, o enfoque utilizado para analisar o tema em recorte baseou-se em questões, a saber: para você, o que o motiva a vivênciar seu tempo livre em shopping center? O método do discurso do sujeito foi a ferramenta utilizada para organização e análise dos dados. A referida análise ancorou-se no estilo de vida do idoso, juntamente com os estudos sobre os modos de vida na contemporaneidade e das vivências de idosos na cidade de Fortaleza. Os resultados mostraram, como fatores de maior preponderância, a segurança, o convívio social, a tranquilidade de ter “tudo” em um só lugar e a possibilidade de desfrutar de um ambiente onde se vive a cultura e o lazer. Esses resultados nos possibilitaram a fazer uma aproximação dos conceitos de idoso e shopping center no processo de vivência do seu tempo livre.

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Trabalho 3: Envelhescência: desencontros no espelho com a própria imagem corporal

Autora: Lorena Ibiapina Gurgel

Resumo: O estudo propõe conhecer e analisar, a partir das considerações de alguns autores, as contribuições teóricas existentes sobre a temática evelhescencia e imagem corporal. É patente a angústia com as marcas do tempo no rosto e a força implacável da lei da gravidade em todo o corpo, que o faz despencar, literalmente. Nessa perspectiva, entram em cena o apelo as cirurgias plásticas que visam criar belezas atemporais e dar aquele ar de eterna juventude. Nesse processo de envelhecimento, em um mundo onde o corpo tem seu valor e significo, a beleza e a ideia utópica da infinidade, sujeitos de meia-idade fazem de tudo para não se desencontrar no espelho. O estudo se configura como bibliográfica, exploratório, descritivo, com abordagem qualitativa. A coleta de dados se deu por meio da literatura especializada: livros e artigos, relativos ao assunto abordado no período de 10 de junho a 08 de julho de 2013. Foi verificado variáveis definidas para a coleta de dados, como: ano de publicação, país. Os resultados apontam que sujeitos evelhescentes não estão totalmente satisfeitos com o corpo e sua imagem refletida no espelho. Algo para serem melhorados, alguns ajustes possíveis e outros passíveis de aceitação. Se gasta tempo e corre-se atrás do que se pode ter, pois é bem mais fácil do que trabalhar e se aceitar como é. O belo na velhice abafou sua essência e subjetividade e se padronizou em corpos juvenis com modelos e medidas tanto para homens como para mulheres de meia-idade.

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Trabalho 4: Experiências de ócio na terceira idade: “trampolins” para um mergulho em ânimos positivos

Autor: Kleber José dos Santos

Resumo: Embora o enorme avanço das ciências da saúde nas últimas décadas terem vindo contribuir de forma significante no aumento da longevidade, envelhecer bem implica também em ganhar recursos psicológicos para enfrentar as vicissitudes do envelhecimento e garantir a harmonização entre os componentes físicos, emocionais, intelectuais e espirituais.O artigo, ora proposto, partiu de um estudo conceitual sobre bem-estar e ócio, e visa desenvolver uma abordagem teórica reflexiva sobre a relevância do cultivo do ócio enquanto recurso fundamental para a promoção do bem-estar do idoso.Se o bem-estar é uma constituinte chave para a concepção de saúde e equilíbrio psicofísico enquanto fator essencial para uma vida satisfatória e feliz, podemos concluir que a experiência subjetiva de ócio, nas suas mais variantes possibilidades, seria um dos caminhos mais eficazes para se atingir ânimos positivos, enquanto recurso capaz de gerar harmonia e equilíbrio no cotidiano e na vida daqueles idosos que as vivenciam, dado a somatória de experiências positivas dentro de um processo que faz parte da maturescência e do desenvolvimento humano.

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Trabalho 5: A importância de experimentar o ócio para os idosos que se aposentam na hipermodernidade

Autor: Gustavo Fonseca Halley

Resumo: No Brasil, como em muitas partes do mundo, o número de idosos cresce significativamente, o que acarreta a elevação do universo de aposentados. Como o trabalho desempenha papel central no contexto da sociedade hipermoderna, muitos indivíduos sofrem por não estarem empregados, em grande medida, por não serem capazes de administrar o tempo desocupado. Este artigo, fundamentado na metodologia da revisão bibliográfica, tem como intuito apresentar o ócio como experiência que pode oferecer aos aposentados, em função da idade avançada, melhor conhecimento de suas existências, refletindo substancial ganho na qualidade de vida. Ao longo da investigação, foi possível constatar que o mundo hipermoderno baseia-se em aspectos individualistas, hedonistas, consumistas e de escassez temporal. Vive-se na era do hiper, em que se superdimensionam aspectos do cotidiano. Por outro lado, são raras experiências que tocam o indivíduo, ou seja, experiências passíveis de atribuir significados à subjetividade. Com base nas informações coligidas ao longo da pesquisa, percebeu-se que a aposentadoria interfere na saúde física e mental dos aposentados, uma vez que não são educados para o tempo de “nada fazer”. Constatou-se ser o ócio generosa fonte de experiência, de onde emanam o melhor conhecimento de si e do entorno, ao longo do percurso pelas trilhas da aposentadoria e da velhice. As reflexões suscitadas por este estudo indicam a necessidade de educar, desde cedo, as pessoas e a sociedade para os tempos de ócio, visto que quanto maior informação torna-se mais fácil vivenciá-lo. 

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Trabalho 6: Envelhecimento e aposentadoria: reflexões de uma realidade brasileira

Autora: Kalyana Cristina Fernandes de Queiroz

Resumo: A Expectativa de vida do brasileiro vem aumentando significativamente nos últimos anos. Isto se deve a melhoria da qualidade de vida que produziu um efeito positivo na longevidade de sua população. Assim o país que por muitos anos ficou conhecido como sendo de jovens passa a ter uma grande parte de envelhescentes, de pessoas entre 55 e 70 anos e de aposentados que mesmo possuindo modificações diversas fruto do processo natural de envelhecimento ainda permanecem sendo produtivos. Diante disto, este estudo tem como objetivo estabelecer a relação entre o envelhecimento da população e aposentadoria. É um estudo bibliográfico, fruto de discussões do laboratório de estudos sobre Ócio, trabalho e Tempo Livre – OTIUM. Os autores pesquisados defendem a idéia que envelhescer conduz a um conjunto de alterações no ser, físicas, sociais e psicológicas. Uma dessas alterações está presente a aposentadoria que possui significados diferentes e que são influenciados pela historia de vida de cada pessoa, pelas suas experiências no campo profissional e pessoal. Para alguns a aposentadoria é muito gratificante, para outros é mais um sinal negativo do envelhecimento que promove o afastamento do seu circulo de amizades, do meio social e remove o papel social de trabalhador construído por toda uma carreira. O que é possível perceber é que embora o envelhecimento e as perdas associadas sejam compreendido como fazendo parte da vida de todos; a aposentadoria meche significativamente com o social e o psicológico e que muitos permanecem não estando preparados para enfrentar esta nova fase da vida.

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Trabalho 7: Modernidade e velhice: ensaios e considerações sobre o processo de envelhescência nas culturas contemporâneas.

Autor: Benedito Alves Maia Júnior

Resumo: A modernidade é marcada pelo grande desenvolvimento tecnológico, econômico, experiência de apresamento do tempo social somada ao rápido progresso da cultura material. A modernidade considera por Lipovétsky (2007) como sociedade hipermoderna, sendo marcada por uma lógica hedonista, utilitarista que apregoa o consumo excessivo. Diante de todas essas características que marcam as culturas contemporâneas, o envelhecimento da população é um tema que vem recebendo destaque na cultura, na política e economia mundial. Fato que só foi possível recentemente, principalmente por causa das intervenções médico sanitárias promovida pelo capitalismo. A pesquisa foi realizada utilizando-se do método de pesquisa bibliográfica somada as constantes discussões  promovidas pelo Otium – Laboratório de estudos sobre ócio, trabalho e tempo livre. A representação social da velhice que é uma construção recente. A velhice é constituída dos arranjos estabelecidos entre o corpo, a subjetividade e o social do sujeito envelhecido, sendo moldado por intermédio da postura assumida diante de todos estes determinantes. Tudo isso se dar no processo de envelhescência, ato de subjetivação que tem a finalidade de recriar as experiências da vivência na velhice.

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Trabalho 8: O processo de amadurecimento psicossocial: o envelhecimento em meio as influências socioculturais contemporâneas

Autores: Lisieux de Araújo Rocha, Francisco Antônio Francileudo, Fabiana Neiva Veloso

Resumo: Embora as incertezas e inseguranças vividas pelos sujeitos na sociedade contemporânea, individualista e consumista desestabilizem as certezas estabelecidas e os sentidos outrora construídos pelos indivíduos, os mesmos continuam estabelecendo metas de vida relacionadas à realização profissional e interpessoal nos diversos âmbitos que envolvem o bem estar psicossocial ao longo de seu desenvolvimento. Cabe refletir de que forma as metas e sentidos subjetivos vêm sendo influenciados pelas demandas socioculturais contemporâneas e interferem no processo de amadurecimento do envelhescente, ao longo do ciclo vital do desenvolvimento de um ponto de vista psicológico. Para tanto, realizou-se pesquisa qualitativa com aporte metodológico bibliográfico. Verificou-se que tais metas são necessárias e importantes para o processo de subjetivação do envelhescente constituem-se variáveis relevantes para se compreender o comportamento humano e servem como suporte para validar e concretizar valores relacionados à maneira de existir de cada sujeito.

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Trabalho 9: Ócio: concepção da palavra e sentimentos vivenciais segundo idosos transeuntes da Praça do Ferreira - Fortaleza

Autor: Marlo Renan Rocha Lopes

Resumo: O legado que a modernidade deixou para a contemporaneidade, no que se refere à palavra ócio, é o de um vocábulo que significa tempo inerte, vazio, improdutivo, no qual nada se faz. Estritamente associado ao conceito de trabalho, que seria o seu oposto, o conceito de ócio nasce na era moderna como uma dimensão negativa, pejorativa, característica daquelas pessoas que não podem ou não querem contribuir para assim chamado“avanço do progresso”. No entanto, hoje, estudos sobre o ócio e o trabalho lançam nova luz sobre este primeiro conceito, enxergando-o a partir de uma perspectiva de atividade prazerosa, satisfação e tempo para si, no qual as pessoas podem desenvolver suas potencialidades como seres humanos. Na atualidade, dado o crescente número de pessoas que chegam à terceira idade com projetos de vida e plena saúde, pensa-se necessário um aprofundamento sobre como estes indivíduos vivenciam experiências de tempos livre se como eles interpretam essas vivências. Este trabalho, que se utiliza do método da pesquisa de campo, busca articular conceitos da teoria do ócio com o relato de 6 (seis) entrevistados idosos transeuntes da Praça do Ferreira, em Fortaleza-CE, e procura analisar como estes sujeitos interpretam suas vivências em tempo liberado. Constatou-se que, de um modo geral, os sujeitos entrevistados possuem uma visão de ócio que corresponde a um tempo de nada fazer, para descanso e repouso. Mesmo assim, nesse tempo os sujeitos relataram praticar uma série de atividades que lhes confere prazer e bem-estar psíquico, o que poderíamos caracterizar, de maneira sugestiva, como uma experiência de ócio.

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Trabalho 10: Incidência do ócio sobre o processo de envelhecimento

Autora: Lorena Ibiapina Gurgel

Resumo: O processo de envelhecimento é um fenômeno natural do ciclo biológico da vida, considerado um momento inexorável da existência a qual todos estão sujeitos. Essa fase constitui um processo dinâmico, progressivo e irreversível, um período de transição e de grandes mudanças ligados intimamente a fatores biológicos, psíquicos e sociais. Na contemporaneidade o envelhecimento populacional é um fenômeno natural, irreversível e mundial. As estatísticas vitais apontam uma tendência de crescimento proporcional de maneira mais acelerada, portanto constitui o segmento populacional que mais cresce nos últimos tempos. Contudo, atingir a faixa etária dos 60 anos de idade significa o inicio de uma nova etapa da vida, que se bem preparada e estimulada pode revelar-se bastante promissora em termos de realizações, projetos, planos e sonhos. Nesse contexto, ainda transcorrem possibilidades como a aposentadoria, mais tempo livre, onde o idoso passa a dedicar-se a novas atividades. Surge também uma mudança no cotidiano do idoso pelo acréscimo da quantidade de tempo livre que aparece na vida de quem se aposenta, com isso, há possibilidades de construção de um ressignificação de suas atividades seja de repouso, recreação, divertimento, dentre outros. Em consequência, interroga-se: de que maneira incide o ócio sobre o processo de envelhecimento? Assim, o objetivo geral é conhecer de que maneira incide o ócio sobre o processo de envelhecimento. A pesquisa se configura como exploratório/descritivo, com abordagem qualitativa. Os resultados apontam que sujeitos se apropriam do seu tempo de forma particular com possibilidades para momentos de ócio. 

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CONFERÊNCIAS

Conferência 1: Ócio construtivo e perspectivas na envelhescência

Palestrante: Prof. Dra. Ieda Rhoden  (Unisinos/RS)

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Conferência 2: Ócios do ofício de viver

Palestrante: Prof. Dr. Viktor D. Salis

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Conferência 3: Meus idosos e eu

Palestrante: Cláudia Couto Gondim da Rocha (Casa do Desenvolvimento)

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TESES E DISSERTAÇÕES

Tese: Sobre a experiência de ócio: significados revelados com base em um estudo hermenêutico-fenomenológico

Autor: Francisco Antônio Francileudo

Resumo: A experiência de ócio é um fenômeno que convoca um conjunto de qualidades psicossociais que costumam acontecer em circunstâncias da vida cotidiana. Esta investigação objetiva identificar significados da experiência de ócio na contemporaneidade, por meio da dinâmica do método hermenêutico-fenomenológico. Para tanto, fez-se uma leitura interpretativa sobre os significados da experiência de ócio ao longo da história, iniciando com a compreensão grega aristotélica, passando pelo período romano, com Sêneca, medieval, com Tomás de Aquino, chegando à Modernidade e Contemporaneidade. E, para o desvelamento dos dados no campo da pesquisa, foram utilizadas técnicas da observação participante e grupo focal. Aconteceram três grupos com dez, sete e oito sujeitos e, com cada grupo, dois encontros. O total de sujeitos participantes dos grupos focais foram 25 do grupo pesquisado. Assim, ao se descrever a experiência de ócio, não se está fazendo referência às experiências em geral, nem às práticas de vida sem sentido, mas àquelas satisfatórias e prazerosas e, precisamente, as que os sujeitos contemporâneos selecionaram entre outras possíveis como de ócio. Elas estão relacionadas a ações com finalidade em si mesmas e por si mesmas, marcadas pela liberdade e motivação subjetiva. O fenômeno da experiência de ócio exprime significados e benefícios para o ser humano contemporâneo e, dentre os tantos identificados, destaca-se a valorização dos talentos do sujeito, isto é, o exercício criador, construtivo e humanista que a pessoa pode desenvolver. Também possibilita, assumir um novo estilo de vida que se exprime pelo primado do ser sobre o ter, da pessoa sobre as coisas, a passagem da indiferença ao interesse pelo outro e pelo social. A experiência de ócio significa uma prática subjetiva em qualquer intensidade. É similar à referencia feita a outras propriedades psicológicas, como os experimentos místicos, experiências pico e as de fluxo da consciência.

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Dissertação: Pelas veredas do sertão: o sujeito dos Inhamuns e suas temporalidades cotidianas

Autora: Dauana Vale Cavalcante

Resumo: A compreensão do tempo como um fenômeno cronológico tem passado por mudanças ao longo dos anos. Tratam-se de mudanças econômicas e políticas que contribuem para que os dias e as horas sejam cada vez mais apressados e medidos, sobretudo, nos grandes centros urbanos. A literatura atual tem debatido muito a respeito destas mudanças. Esta pesquisa buscou indagar como as temporalidades contemporâneas são tratadas por uma comunidade rural localizada no sertão cearense dos Inhamuns. Tratou-se de uma investigação qualitativa de caráter etnográfico (Baztán, 1995). Também buscou-se um possível diálogo entre os conceitos e os dados coletados no campo. Textos de Benjamim (1994), Certeau (1996), Cuenca (2003), Munné (2004), Martins (2006) e Khel (2009) ampararam este estudo. Pesquisar os sujeitos em questão nos levou ao cotidiano dos sertanejos dos Inhamuns e transitamos entre: passado, futuro e presente de um povo que já vem despertando interesse da ciência por suas singularidades. Para esta investigação, se fez necessário o encontro com a história, pois sem ela não seria possível contextualizar as temporalidades sertanejas. As temporalidades marcadas pelos sertanejos investigados nos Inhamuns resguardam relações diretas com suas crenças, habilidades e memórias. Diz respeito a uma maneira particular de lidar com os ponteiros dos relógios e datas dos calendários. O uso do tempo está relacionado à liberdade, ao grau de autonomia que cada indivíduo possui no seu cotidiano. Aliás, é o dia a dia que diz como o sujeito lida com o tempo e como elabora suas temporalidades. É possível afirmar que no sertão dos Inhamuns não há uma única maneira de vivenciar as temporalidades sociais, cada sujeito, de acordo com seu cotidiano e com as necessidades internas e externas, determina como se dá esta relação.    

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MESA-REDONDA

Mesa 1: O tempo da envelhescência  

Participantes: Profa. Ms. Gisele Sucupira (UNIFOR/CE)

                         Prof. Dr. Viktor D. Salis (UNIFESP/SP)

                         Prof. Dr. José Clerton de O. Martins

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